
Estudo de Caso
Realizarei todas as etapas do meu Estudo de Caso com Bruno (nome fictício) que estuda na 6ª série e possui 13 anos de idade.
Bruno estuda nesta escola desde o ano de 2002, ele possui uma doença muito rara chamada distrofia muscular progressiva. Até fim do ano passado ele caminhava com dificuldades, mas este ano ele passou a usar cadeira de rodas, pois seu caso se agravou bastante.
Bruno mora aqui no município de Três Cachoeiras, mora com seus pais e irmãos. A família dele é bem estruturada financeira e estruturalmente, pertence a classe média baixa e oferece condições dignas e boa qualidade de vida a todos.
A mãe de Bruno é do lar e o pai é caminhoneiro, é ele quem sustenta a família. A mãe administra a casa e cuida dos filhos.
Diagnóstico
De uma forma geral o aparecimento dos primeiros sintomas da distrofia são percebidos pelos próprios pais, o que no caso de Duchene costuma ocorrer na faixa dos três aos cinco anos de idade.
Normalmente nota-se um atraso no desenvolvimento com relação a outras crianças da mesma idade, desequilibram-se e caem com facilidade, tem dificuldades para correr, subir escadas, levantar-se do chão e cansam mais rapidamente.
As primeiras características são o aumento do volume das panturrilhas, decorrente do grande esforço a que são submetidos para compensar o déficit dos músculos laterais das pernas, para auxiliar o equilíbrio na marcha que estes pacientes apresentam. Começam a caminhar na ponta dos pés, devido ao surgimento de contraturas nos tendões de Aquiles e para manter seu centro de gravidade e posicionam-se com a barriga para frente e os ombros para trás, provocando uma lordose.
Distrofia Muscular de Duchene
Distrofia muscular é uma doença de origem genética, cuja característica principal é o enfraquecimento e posteriormente a atrofia progressiva dos músculos, prejudicando os movimentos e levando o portador a uma cadeira de rodas. Ela é uma doença motora e se diferencia das demais porque qualquer esforço muscular que cause o mínimo de fadiga contribui para a deterioração do tecido muscular. Isto porque o defeito genético ocorre pela ausência ou formação inadequada de proteínas essenciais para o funcionamento da fisiologia da célula muscular.
Na literatura médica são catalogados mais de trinta tipos de distrofia. A Distrofia Muscular de Duchenne é a mais comum das distrofias, com uma incidência de 1 para cada 3.500 nascimentos masculinos. O tipo Duchenne afeta essencialmente o sexo masculino. Também é a forma mais severa de distrofia muscular, até a idade adulta o paciente estará profundamente debilitado tanto fisicamente devido à fraqueza estabelecida pela fragilidade óssea, quanto psicologicamente, já que ocorre um aparente desânimo devido ao próprio estado de saúde.
O homem com esta doença não tem como se reproduzir e esta é a razão principal de as mulheres não apresentarem a Distrofia Muscular de Duchenne. A transmissão se faz por traço recessivo ligado ao sexo e a taxa de mutação é alta. Geralmente, o quadro só é notado quando a criança começa a andar.
No caso de Bruno a doença foi diagnosticada um pouco mais tarde, embora os pais soubessem das dificuldades dele, não sabiam o tipo da doença. Um professor de Educação Física percebeu suas grandes dificuldades e pediu que a escola o encaminhasse a APAE de nosso município para uma avaliação, quando então foram feitas as primeiras descobertas sobre a doença.
Deste período em diante Bruno possui acompanhamento especializado sempre. Do ano passado para cá ele passou a freqüentar além da APAE a AACD também, realizando continuamente sessões de fisioterapia.
*Os dados para esse registro foram coletados no site: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/duchenne.htm e também em materiais que a escola possui sobre o diagnóstico do aluno Bruno.
Como já citei em outras partes de meu Estudo de Caso, o aluno Bruno estuda nesta escola desde 2002, e já está muito acostumado com o ambiente, funcionários e professores, pois as modificações que ocorrem anualmente não são muitas, e mesmo assim de fácil familiarização.
O relacionamento dele com os demais colegas, professores e funcionários é muito bom, da mesma forma o envolvimento dos pais com a escola, pois sempre estão presentes o acompanhando e contribuindo com os professores sempre que necessário.
Este ano como ele passou a utilizar a cadeira de rodas, o empenho dos colegas e professores, principalmente dos colegas, em ajudá-lo é ótimo, pois todos preocupam-se com ele e sua locomoção auxiliando-o sempre que necessário.
Na entrada do refeitório, salas de aula, biblioteca e dentro desses ambientes, pela inexperiência com a cadeira de rodas os colegas e professores sempre o auxiliam, e demonstram em pequenas atitudes um enorme carinho por ele.
Há uns dois meses a escola adquiriu uma mesa especial para Bruno, ela possui a altura adequada à cadeira de rodas, melhorando seu desempenho em sala de aula.
Devido ao agravamento da doença, alguns professores perceberam que ele começou a apresentar um pouco de lentidão no raciocínio em relação aos anos anteriores, mas ainda não apresentou grandes modificações em sua aprendizagem conseguindo acompanhar normalmente os demais colegas.
Como sugerido pela professora, estou colocando uma foto da mesa utilizada pelo aluno Bruno.
Avaliação
Analisando as idéias apontadas no texto “Avaliação e Inclusão Escolar: Desafios, Conflitos e Possibilidades” de Ana Carolina Christofari, podemos encontrar algumas características e também contradições comuns ao Estudo de Caso até agora analisado.
A partir do momento em que a escola abriu a portas para a inclusão, ela sabia da grande responsabilidade que estava assumindo, e dentre elas a avaliação dos alunos portadores de alguma necessidade educacional especial. Embora ela já adotasse a avaliação como pressuposto para avaliação e reflexão da prática pedagógica, como a própria autora nos coloca, esta é uma tarefa complexa e envolve muita atenção e reflexão dos educadores, ainda mais tratando-se da avaliação destes alunos.
O aluno Bruno, alvo das pesquisas e estudos nesta atividade, como falado anteriormente, é portador de deficiência física, não apresentando outras complicações além desta, mas requer atenção especial no planejamento e preparação das atividades, visando à máxima participação e aproveitamento das atividades e aquisição de grandes aprendizagens.
A escola e professores enfatizaram a avaliação deste aluno, como dos demais, como um processo de avaliação das práticas pedagógicas e construção de conhecimentos a partir das capacidades individuais, analisando e considerando as aprendizagens e construção de conhecimentos dentro das particularidades de cada aluno.
Considero que na medida dos esforços de cada professor, esses objetivos estão sendo alcançados, claro que durante um processo com esta complexidade os tropeços acontecem, e principalmente tratando-se de inclusão, um fato novo para as escolas, não tão novo como pudemos observar ao longo da interdisciplina, mas recente na maioria delas.
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Tive a oportunidade de realizar este Estudo de Caso através da Interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, para mim única, principalmente após ter adquirido tantas aprendizagens oferecidas por ela. O Estudo de Caso veio complementar e demonstrar estas aprendizagens em forma de pesquisas, reflexões e conversas informais adquiridas com professores e demais membros da comunidade escolar, dando forma a uma história de vida real, apresentando as dificuldades, aprendizagens, alegrias, experiências entre tantas outras oportunidades visualizadas e experienciadas por alunos, professores, enfim por todos que se fazem presentes no convívio diário com Bruno.
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Como solicitado pela tutora, realizei a leitura do texto “Diversidade e currículo” de Lenise Caçula Pistóia e pude analisar os enfoques que são necessários para constituir um bom currículo escolar. Dentro deste plano considerei de grande relevância quando a autora nos coloca que ele deve ser algo elaborado de modo a atender a todos, ou seja, um elemento que abranja todos os alunos não os diferenciando pelas suas necessidades particulares, mas que seja algo unificado atendendo a todos.
Como havia citado no texto anterior sobre avaliação, Lenise também nos remete ao ensino voltado aos interesses dos alunos. Devemos ensiná-los a partir daquilo que já sabem, pois desta forma todo educando é capaz de aprender, e acima de tudo respeitar as suas capacidades cognitivas, pois cada criança aprende ao seu tempo, ao seu modo. O que podemos fazer, segundo a autora é dar ênfase em atividades escritas, diálogos, debates e pesquisas auxiliando suas aprendizagens.
Em uma sala de aula diversificada, onde o professor souber administrar bem o seu trabalho, sem discriminar e dar atenção a alguns, valorizando a todos e suas capacidades, as aprendizagens em meio a diversidades étnicas, culturais e especiais, os alunos desde cedo aprenderão a conviver em grupo respeitando uns aos outros em suas diferenças. Finalizando destaco as palavras da autora que estabelecem muito bem tudo isso: “A cultura da diversidade é a cultura da Cooperação” (pág.10)
Comments (7)
Graciela Rodrigues said
at 9:57 pm on May 4, 2009
Estudo de caso condizente com a proposta, bom trabalho Edinara!
Graciela Rodrigues said
at 10:04 pm on May 21, 2009
Dados referentes a unidade 4 contemplados. Abraços.
Graciela Rodrigues said
at 10:08 pm on Jun 4, 2009
ótimos dados para a unidade 5 relativas ao diagnóstico e encaminhamentos. Gostaria que acrescentasse as fontes de consulta sobre a Distrofia Muscular de Duchene que foram pesquisadas por ti. Abraços.
Graciela Rodrigues said
at 10:33 pm on Jun 10, 2009
Olá Edinara! Dados contemplados para a unidade. Seria interessante se publicasse uma foto da mesa que foi construída para o aluno, a fim de ilustrar seu caso e termos conhecimento destes recursos.
Graciela Rodrigues said
at 10:17 pm on Jun 16, 2009
Muito bem Edinara, a foto ficou ótima!
Graciela Rodrigues said
at 9:20 pm on Jun 23, 2009
Olá Edinara! Muito boa tuas contribuições, finaliza com um parágrafo muito importante enquanto reflexão da tua prática como pedagoga. Nesta unidade são várias leituras importantes para pensarmos a prática pedagógica incluindo a avaliação que tu contemplaste. Mas além dela a outros aspectos que gostaria que contemplasse como a questão do currículo, por exemplo. Assim gostaria que fizesse a leitura de um dos textos da sala de leitura e contemplasse na unidade 7. Aguardo sua complementação.
Graciela Rodrigues said
at 9:16 pm on Jun 25, 2009
Ótima Edinara, realizaste aproximações das tuas reflexões no decorrer do estudo com o texto !
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